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26 de noviembre de 2015
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No “mundo digital”, estar ou não estar já não é a questão

Poucas são as pessoas que, nos dias de hoje, podem afirmar não ter qualquer tipo de presença digital. Podemos ser mais ou menos pró-ativos nessa presença, mas estamos lá: quem de nós não ficou surpreso ao “googlar” o seu nome e ver-se associado a um perfil de uma rede social, ao site da empresa onde trabalha, a uma notícia ou mesmo a um artigo num blogue ou um vídeo no YouTube?

Hoje em dia, ter presença digital já não é a questão. A forma como comunicamos sofreu alterações significativas já que, como cidadãos, procuramos e partilhamos informação e, acima de tudo, dialogamos.

A transparência e credibilidade são valores que exigimos às empresas, o que faz das organizações um alvo preferencial no que diz respeito ao escrutínio e à avaliação pública.

Enquanto indivíduos estamos mais predispostos a acreditar noutros indivíduos do que nas instituições. Neste sentido, os CEO e quadros de topo assumem um papel decisivo enquanto principais porta-vozes das suas empresas, a quem a responsabilidade é atribuída, tanto nas situações positivas como nas situações de eventual crise.

Mas, conquistar o mundo digital não significa apenas estar lá… É fundamental que os CEO e gestores tenham em conta alguns fatores decisivos para criarem uma identidade digital consistente que, no final, permita um impacto positivo na reputação e no negócio da sua empresa.

Eis algumas sugestões para pensar numa estratégia de identidade digital ajustada às necessidades dos gestores de hoje em dia.

Ser autêntico

Se fosse necessário resumir num único conselho a estratégia a seguir por um CEO no mundo digital, arriscaria a autenticidade: só vale a pena estar, se formos autênticos. Participar no “mundo digital” não significa ter a possibilidade de criar uma personagem que obrigue a um estilo de envolvimento forçado. É cada vez mais fácil identificar inconsistências, porque o mundo está mais informado e interligado. Mas, ser autêntico significa ainda que nem todas as redes sociais fazem sentido para todos os CEO; cada um, à sua maneira, e considerando os seus stakeholders, deve definir os espaços e mecanismos de interação que melhor servem os seus propósitos.

Escutar, escutar e escutar

A bidirecionalidade da comunicação poderá ser descrita como a grande conquista das redes sociais. Para cimentar uma posição de liderança no mundo digital é essencial que exista recetividade e abertura às críticas, lidando e interagindo com aquilo que possa ser mais adverso de uma forma natural e construtiva. Nos meios digitais, os CEO que devem estar genuinamente interessados no feedback dos seus seguidores. A capacidade de escuta é algo muito valorizado e pode ser chave para consolidar a reputação e capacidade de influência. Além disso, saber ouvir significa uma clara vantagem para as empresas: perceber de forma imediata e constante aquilo que os stakeholders pensam sobre a empresa, os seus produtos e serviços.

Participar e partilhar conteúdos únicos e relevantes

Vemos alguns CEO que olham para os seus ativos digitais apenas e só como uma extensão dos canais da sua empresa. É a estratégia da difusão. No entanto, tal como acontece com os líderes de opinião do mundo offline, no mundo online é crucial mostrar-se conhecedor de um determinado tema para poder ser visto como uma autoridade. Assim sendo, impõe-se uma estratégia de curadoria de conteúdos coerente e ajustada, que permita aos gestores conhecerem e liderarem o debate nos temas que são estratégicos para o seu negócio.

Não se levar demasiado a sério

As redes sociais são, por natureza, espaços mais informais. É natural que exista o receio de dizer algo de errado que dê origem a uma chuva de críticas e que coloque em causa a reputação da empresa. No entanto, e dependendo sempre do contexto, pode fazer sentido mostrar sentido de humor. O “humor inteligente” é geralmente bem recebido pelos utilizadores das plataformas sociais. No fundo, ajuda a humanizar a comunicação, fazendo ver que, que por trás de um CEO, está uma pessoa!

Os resultados do estudo Identidade digital dos CEO’s: Portugal e a realidade Ibero-americana mostram que os canais digitais dos líderes das principais empresas em Portugal ainda não são explorados como ferramentas de comunicação estratégica. Apresentadas as conclusões, lançamos o repto: Quando teremos em Portugal o primeiro gestor “verdadeiramente digital”?

Este artigo foi publicado no dia 26 de novembro de 2015 na revista Meios & Publicidade.

Tiago Vidal, diretor geral da LLORENTE & CUENCA Portugal
Ana Gil, consultora senior na LLORENTE & CUENCA Portugal
Nuno Cunha, assistente de consultor na LLORENTE & CUENCA Portugal

Tiago Vidal

Acerca de Tiago Vidal

Diretor geral de operações de LLORENTE & CUENCA em Portugal, Tiago possui mais de 18 anos de experiência profissional nas áreas de Reputação e Marcas, Comunicação de Crise, Marketing Corporativo, Relacionamento com Stakeholders e Relações com os Meios de Comunicação. Durante os últimos 16 anos foi diretor de comunicação do grupo Sonae Sierra, liderando a comunicação corporativa nos 14 mercados em que a companhia está presente. Sua experiência profissional inclui a gestão das Relações Públicas do Centro Comercial Colombo, e sua atividade como professor residente do curso “Relações Públicas e Gestão Avançada de Crises” do ICSC. Foi membro do projeto sobre Eficiência Energética em Edifícios, promovido pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).
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